Certamente, ontem presenciei um dos mais destacados e históricos discursos de oposição à atual administração na tribuna do plenário Lameira Bittencourt, muito pela dureza das críticas, da acidez das palavras e contexto analisado. O discurso é de Augusto Pantoja, vereador do PPS. Ele apenas ratificou o grau de retrocesso que passa a administração da cidade de Belém. Pelas notas taquigráficas foram somadas três páginas de texto corrido. Em seguida, a íntegra.
"Senhor presidente; Senhores vereadores; pessoas presentes nas galerias; os alunos de arquitetura presentes nesta Casa.
É impossível ser condescendente com a atual administração do município de Belém. Quando vimos aqui um administrador público que veta um projeto de lei o qual não vai custar nada aos cofres públicos, e que este projeto de lei versa sobre o ensino sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente nas escolas públicas, só podemos lamentar. Lamentar porque sabemos muito bem que a única capacidade que esse prefeito tem é de asfaltar ruas e encher os bolsos. Ele e a turma que o cerca.
É triste ver uma capital como Belém, uma grande capital, está entregue nas mãos de um grupo que não possui a mínima sensibilidade para com os problemas tão complexos de uma cidade como essa.
Seria bom dizer ao prefeito que uma capital como Belém não tem somente como problemas buracos; que a única ação nesse município não é somente asfaltar ruas, e quando ele asfalta. É necessário dizer as pessoas desse município, e é necessário dizer como se soasse como lugar-comum, como se fosse um ato repetitivo, como se fosse um martelo que bate insistentemente numa bigorna, que essa cidade está entregue à incúria, à incompetência administrativa.
A educação não funciona! É só você olhar, visitar qualquer escola do município, ou a maioria das escolas municipais. É só visitar a Terra Firme. Na Terra Firme existem escolas que possuem esgotos a céu aberto. É só visitar escolas no Guamá, no Jurunas, e veremos a triste realidade da educação. Mas é uma pena termos uma sociedade anestesiada. Parece que estamos anestesiados no que diz respeito à situação de risco de crianças e adolescentes em Belém. Não temos políticas públicas de proteção a nossa infância e juventude. Não temos lazer nas ruas de Belém. Não temos uma política pública municipal voltada para a juventude. Não temos sequer a seriedade de encarar a educação como instrumento de transformação social. Ou seja, temos simplesmente a insensibilidade.
Não podemos ficar calados diante de tanto descalabro!
Vetar este projeto do vereador Adalberto Aguiar (PT) é simplesmente não ter um pingo de sensibilidade, de compromisso com a infância.
O estudo do Estatuto da Criança e do Adolescente é fundamental. Não só para os jovens, como para todos aqueles que se preocupam com a nossa infância, com a nossa juventude. É inadmissível que esta sociedade continue anestesiada em relação aos graves problemas que permeiam a juventude e a infância. E é mais inaceitável ainda que a administração pública continue silenciosa, omissa diante desses graves problemas.
É só você olhar o município. Parar, ficar de pé e olhar para a saúde. A saúde está simplesmente em situação precária. É só você olhar para a educação. É só você olhar, por exemplo, para casos como a região das ilhas. É só você olhar para a distribuição de água nas mãos do Saaeb (Serviço Autônomo de Abastecimento de Água e Esgoto do Município de Belém). Olhe para a cidade de Belém, olhe para a capital, e diga-me que nota você dá a essa administração. É só você olhar para o comportamento do prefeito. Ele concentrou todas as licitações no seu gabinete. Só ele pode licitar. Ele e o grupo dele, a corriola que o cerca. Aí, pergunto a vocês: isso é sério? Não pode ser certo! Isso é comportamento de um gestor sério? Ele se comporta como um gângster. E não tenho medo de falar isso. Comporta-se como um gângster! Comporta-se como alguém que não possui o mínimo interesse em relação à cidadania. Ele só possui interesse em si mesmo, no grupo que o cerca. E vimos a máquina pública entregue nas mãos de ratos, de uma colônia de cupins. Cupins que roem o dinheiro público. E o que é pior, cupins que roem a esperança desse povo.
Como podemos esperar que alguém tenha sensibilidade com a infância e com a adolescência se esse alguém só olha para os seus próprios interesses? Como podemos dizer que essa cidade tem um gestor se esse gestor tem uma estatura de omissão, de descaso, um ato constante de covardia? Só os covardes se escondem, omitem a própria responsabilidade. Estamos cheios de covardes!
No dia 15 comemoramos a República. Mas esse nosso prefeito não sabe o que é República, coisa pública, responsabilidade pública! Ele só sabe lidar com aquilo que é privado, com aquilo que é do seu interesse. Um gângster não tem visão política! Um gângster não tem visão pública, espírito público! Os gângsteres simplesmente olham para o seu grupo. São quadrilhas que se apoderaram da máquina pública. Parentes, sobrinhos. Licitações desviadas, fraudulentas. Desvio de equipamentos médicos. Desvio de equipamentos de saneamento. Desvio de dinheiro federal. Tudo isso existe aqui, nessa cidade, sob as nossas barbas. Tudo isso existe aqui na capital do Pará. Mas, mesmo assim, muitos ainda têm a coragem e a desfaçatez de defender essa administração. É uma administração que não tem postura moral, que não conhece o princípio da ética, porque ética é sinônimo de qualidade, e esse prefeito não tem qualidade alguma.
E quando constatamos todas essas mazelas, e quando olhamos para esta casa, a qual tem a obrigação de defender os interesses do povo, quando olhamos para esse arremedo de República, o Brasil é um arremedo de República, o Brasil, ainda hoje, não conseguiu ser uma República de verdade, porque aqui se confunde o público e o privado, e ao mesmo tempo transforma-se a juventude e a infância em estorvo, em lixo.
Esse prefeito tem a coragem de vetar esse projeto. É uma demonstração não só da sua cegueira, mas é uma demonstração da sua incompetência.
Não há, meus amigos, caros vereadores, senhoras e senhores, qualquer maneira, nem com toda a boa vontade do mundo, para absolver essa administração. Essa administração nunca será absolvida. Nunca será absolvida de suas falhas, de seus imensos pecados em relação a esse povo. Não podemos aceitar que isso se perpetue. Esse país não está entregue ao fatalismo. Não acredito em fatalidade! Não acredito que esse povo tenha que ser vítima eternamente de maus administradores. De administradores desonestos.
Parece que estamos condenados, parece que vivemos à mercê dos bandidos, dos ladrões do dinheiro público, dos gigolôs dos cofres públicos. E isso tem de acabar! Isso tem de acabar! Ou pela nossa própria consciência, ou pela consciência coletiva. Temos que pedir que a consciência coletiva desperte, acorde para essa realidade, a qual deve ser rejeitada, repelida; para essa realidade política, a qual deve ser repudiada.
Muito obrigado!"

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O vereador Carlos Augusto repercutiu a entrevista do Prefeito Duciomar Costa dada no final de semana ao jornal O Liberal, onde o Prefeito explica o projeto de concessão pública que a oposição rotulou de "privatização da água". Na opinião de Carlos Augusto o Prefeito deveria contar a verdade sobre o projeto e não tentar induzir o povo a uma mentira que logo vai ser descoberta. 



